A fome e o risco de uma catástrofe mundial; Brasil em reversão acentuada
WFP e FAO identificam 13 zonas críticas sob risco iminente
19/06/2025
Gaza no centro do mapa da fome extremaAs Nações Unidas emitiram um alerta severo sobre o avanço da fome no mundo, identificando 13 regiões onde a população está sob risco iminente de fome catastrófica, impulsionada por conflitos armados, choques climáticos e instabilidade econômica. Segundo relatório conjunto do Programa Mundial de Alimentos (WFP) e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), até 58 milhões de pessoas nessas áreas podem necessitar de assistência alimentar urgente nos próximos meses.
O caso mais alarmante é a Faixa de Gaza, onde toda a população enfrenta níveis críticos de insegurança alimentar. A estimativa da ONU é que cerca de 500 mil pessoas possam atingir condições de fome até setembro. Outros países destacados incluem Sudão, Sudão do Sul, Mali, Haiti, Burkina Faso, Nigéria, Iêmen, Somália e Mianmar, com os conflitos armados aparecendo como o principal fator de ruptura no acesso à alimentação.
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A deterioração reflete uma tendência mais ampla: 2024 marcou o sexto ano consecutivo de aumento na fome aguda no mundo, impulsionada por guerras, inflação e cortes no financiamento da ajuda internacional.
Brasil: melhora acentuada, mas riscos estruturais permanecem
Em contraste com o agravamento observado na África e no Oriente Médio, o Brasil registrou uma reversão significativa nos indicadores de segurança alimentar, impulsionado por uma reativação de políticas públicas focadas no combate à pobreza.
Segundo dados da FAO, a taxa de subnutrição no Brasil caiu de 4,2% em 2022 para 2,8% em 2023, retirando o país oficialmente do “mapa da fome” da ONU — que considera crítica qualquer taxa acima de 2,5%. Isso equivale a aproximadamente 8,4 milhões de brasileiros subnutridos, número inferior aos 9,6 milhões do ano anterior.
Mais expressiva ainda foi a queda na insegurança alimentar severa: de 17,2 milhões de pessoas em 2022 para apenas 2,5 milhões em 2023, de acordo com estimativas nacionais. Analistas atribuem esse progresso principalmente à expansão de programas de transferência de renda (notadamente o novo Bolsa Família), à reativação da merenda escolar e ao fortalecimento de compras públicas da agricultura familiar.
O governo Lula também tem promovido a criação de uma Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, apresentada em reuniões do G20 como modelo de cooperação internacional em políticas alimentares.
Preços e clima continuam sendo fatores críticos
Apesar dos avanços, o Brasil – e a América Latina em geral – segue vulnerável a choques climáticos e pressões inflacionárias. Um relatório conjunto da FAO e da Cepal aponta que o custo médio de uma dieta saudável na região é de US$ 4,56 por pessoa/dia, acima da média global de US$ 3,96. Cerca de 182 milhões de latino-americanos não têm acesso a esse padrão alimentar.
No Brasil, os eventos climáticos extremos – como as enchentes no Sul e a seca prolongada no Nordeste – têm afetado a produção agrícola e os sistemas de abastecimento. Economistas alertam ainda para a volatilidade dos preços dos alimentos e a persistência da desigualdade de renda como riscos latentes de retrocesso.
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