A dramaturgia perde Francisco Cuoco, aos 91 anos
Ator encarnou o estilo galã e marcou gerações
19/06/2025
Morreu nesta quinta-feira (19), aos 90 anos, o ator Francisco Cuoco, um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira. Ícone da era de ouro das novelas da TV Globo, Cuoco construiu uma carreira de mais de seis décadas, marcada por galãs inesquecíveis, personagens densos e uma presença cênica que atravessou gerações.
Nascido no Rio de Janeiro em 29 de novembro de 1933, Cuoco começou a atuar no teatro nos anos 1950, após abandonar o curso de Direito. Sua estreia na televisão aconteceu em 1964, na TV Excelsior, mas foi na Globo que ele consolidou sua imagem como um dos rostos mais populares do país.
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Com seu porte aristocrático e voz grave, Francisco Cuoco foi protagonista de tramas que ajudaram a definir o formato da telenovela brasileira. Estrelou clássicos como Selva de Pedra (1972), onde viveu Cristiano Vilhena, um dos papéis mais marcantes de sua carreira; O Astro (1977), como o misterioso Herculano Quintanilha; e Feijão Maravilha (1979), onde mostrou também sua veia cômica.
Ao longo dos anos 1980 e 1990, Cuoco se reinventou como ator dramático, transitando entre mocinhos e vilões, homens comuns e figuras trágicas. Em Roda de Fogo (1986), viveu o empresário Renato Villar, um dos anti-heróis mais complexos da teledramaturgia. Também teve destaque em Fera Ferida (1993) e Torre de Babel (1998), sempre com performances elogiadas por crítica e público.

Nos bastidores, era descrito como reservado, meticuloso e apaixonado pela profissão. Colegas de cena destacam seu rigor técnico e o respeito pelo texto, além da generosidade com os mais jovens.
Cuoco continuou ativo na televisão até a década de 2010, em participações especiais e papéis coadjuvantes. Esteve no remake de O Astro (2011), interpretando o mentor de seu próprio personagem da versão original. Sua última aparição na TV foi em O Tempo Não Para (2018).
Com a morte de Francisco Cuoco, desaparece um símbolo de um tempo em que a televisão ainda era uma cerimônia diária nas casas brasileiras. Um ator que ajudou a moldar o imaginário nacional com elegância, talento e intensidade.
Ele deixa dois filhos e um legado imortal nas telas.
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