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Saúde Municipal faz alerta contra hepatites virais

Doença silenciosa ataca milhares de pessoas

29/07/2025

O Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho, reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da imunização contra essas infecções silenciosas que afetam o fígado. Em alusão à data, a Secretaria Municipal de Saúde de Guarapuava realizou o 1º Encontro Julho Amarelo: Mês de Luta Contra as Hepatites Virais.

O evento foi promovido pelo Departamento de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde (DGTES), em parceria com o Departamento de Vigilância em Saúde e com o apoio do Departamento de Medicina da Unicentro  (DMED). O objetivo foi ampliar o conhecimento dos profissionais e da comunidade sobre os vírus das hepatites A, B, C, D e E, abordando formas de transmissão, protocolos clínicos atualizados e a importância da testagem e da vacinação como medidas de prevenção e controle da doença.

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Em Guarapuava, o Serviço de Atenção Especializada (SAE) se destaca por concentrar esforços em áreas prioritárias como HIV, AIDS, hepatites virais, tuberculose e hanseníase. Diferente das unidades básicas de saúde, o SAE oferece consultas e tratamentos específicos, garantindo um cuidado mais direcionado e eficaz para pacientes com essas condições.

As hepatites virais são infecções que atacam o fígado e podem causar inflamações leves, moderadas ou graves. Elas comprometem o funcionamento de um dos órgãos mais importantes do corpo humano, responsável por filtrar substâncias tóxicas, produzir proteínas e armazenar energia. No Brasil, os tipos mais frequentes de hepatite são causados pelos vírus A, B e C. Existem ainda os vírus D e E, sendo o tipo D mais comum na região Norte e o tipo E mais presente na África e na Ásia.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites virais causam cerca de 1,4 milhão de mortes por ano em todo o mundo, resultado de infecções agudas, cirrose hepática e câncer de fígado. A gravidade é tanta que a hepatite C, por exemplo, tem uma taxa de mortalidade comparável à do HIV e da tuberculose.

Cada tipo de hepatite tem características e formas de prevenção diferentes. A hepatite A é uma infecção causada pelo vírus da hepatite A (HAV), transmitida principalmente pela via fecal-oral, ou seja, por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados, ou ainda pelo contato com objetos e mãos infectadas. Por isso, está fortemente relacionada a condições sanitárias precárias. A grande maioria das pessoas que entra em contato com o vírus não apresenta sintomas, mesmo quando desenvolve a doença. 

O médico especialista em hepatologia da região, Dr. Celso Nilo Didoné Filho, que atende na Clínica Escola da Unicentro, explica que, embora a infecção geralmente seja assintomática, em alguns casos os sintomas aparecem. “Em cerca de 10% a 20% dos pacientes, desenvolve-se um quadro típico de hepatite viral aguda, comum a todas as formas da doença. Os sintomas incluem mal-estar, febre baixa, dores no corpo, dor de cabeça e, em alguns casos, olhos amarelados, o que chamamos de icterícia. No entanto, isso ocorre em uma minoria dos casos. Além disso, não há um tratamento específico para eliminar o vírus. Na grande maioria, mais de 99%, o próprio sistema imunológico do paciente consegue conter a infecção”, afirmou.

Quando o paciente evolui bem, não há risco de sequelas no fígado nem de reinfecção ao longo da vida. Além disso, há vacina disponível contra a hepatite A, ofertada gratuitamente pelo SUS. No entanto, atualmente o imunizante está disponível apenas para crianças de até cinco anos. Para adultos que não têm imunidade ou que nunca se vacinaram, o ideal é procurar pela vacina, garantindo proteção contra a doença.

A hepatite B, assim como outros tipos de hepatite viral, costuma ser uma infecção silenciosa, ou seja, a maioria dos casos não apresenta sintomas. No entanto, ao contrário da hepatite A, ela tem potencial para se tornar crônica, permanecendo no organismo do paciente por toda a vida. Em grande parte dos casos, especialmente em adultos, o próprio sistema imunológico é capaz de eliminar o vírus naturalmente. Porém, há situações em que a infecção se torna crônica, exigindo acompanhamento médico e, em alguns casos, uso de medicamentos para evitar complicações mais graves, como cirrose e câncer de fígado. 

A hepatite B também pode ser transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou no momento do parto, em um processo conhecido como transmissão vertical.

Foi assim que uma das pacientes, de 45 anos, a qual preferiu não se identificar, que acredita ter contraído o vírus. A descoberta aconteceu de forma inesperada, quando ela e a irmã foram doar sangue para um tio. “Nós fomos doar sangue e tivemos a doação negada. Ficamos assustadas. Aí tivemos que fazer exames e foi constatado que a gente tinha hepatite B. Como minha irmã é mais velha e também tem, o médico deduziu que pegamos da nossa mãe”, contou a paciente.

Ao doar sangue, são coletados quatro tubos para exames laboratoriais, que detectam possíveis doenças que impeçam o uso da bolsa. “Depois fiz outros exames, mas nunca precisei de tratamento, porque no meu caso é só o resquício do vírus mesmo. Nunca tive sintomas nem complicações”, explicou.

No Paraná, especialmente em regiões como o Norte e o Sudoeste, essa forma de transmissão tem relevância histórica. “Até o início dos anos 2000, o exame que detecta a hepatite B (HBsAg) não fazia parte da rotina do pré-natal, o que aumentava o risco de a infecção passar despercebida”, explicou o especialista em hepatologia, Dr. Celso.

Quando não identificada e tratada de forma adequada, a mãe pode transmitir o vírus ao bebê, especialmente se não forem adotadas medidas preventivas, como o uso de antivirais pela gestante e a aplicação da vacina contra hepatite B, além da imunoglobulina específica no recém-nascido logo após o parto.

A hepatite C é uma infecção que ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado. Outras formas de transmissão, como de mãe para filho ou por via sexual, são menos frequentes e apresentam baixo risco. A boa notícia é que a hepatite C tem cura. A maioria dos pacientes não apresenta sintomas, e muitas vezes a doença é descoberta apenas por meio de exames. O tratamento, disponível pelo SUS, dura entre 12 e 24 semanas, e a grande maioria dos pacientes é curada já na primeira tentativa, eliminando totalmente a infecção.

Já os vírus da hepatite D e E são muito menos comuns na região Sul do Brasil. A hepatite D, que ocorre principalmente na região Norte, depende da infecção prévia pelo vírus da hepatite B para se desenvolver, e seu tratamento está baseado no manejo da hepatite B.

A hepatite E apresenta duas formas: aguda e crônica. A forma crônica ocorre principalmente em pacientes imunossuprimidos, ou seja, com a imunidade comprometida. Essa infecção pode ser transmitida de pessoa para pessoa em condições precárias de saneamento, ou pelo consumo de carne mal cozida, modo de transmissão comum na Ásia, mas praticamente inexistente no Brasil.

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