PF chega a 46 postos com gasolina adulterada pelo crime organizado
Todos estão em Curitiba e região metropolitana
31/08/2025
A fraude bilionária descoberta na maior operação policial de todos os tempos – que chega à cifra inicial de R$ 23 bilhões e ligações entre o mercado financeiro e organizações criminosas – tem fortes tentáculos com o Paraná.
Além de utilizarem o Porto de Paranaguá como meio para adquirir produtos (metanol) para adulterar combustíveis, a quadrilha também mantinha uma rede de negócios em Curitiba e região metropolitana.
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A Polícia Federal identificou fraudes em 46 de 50 postos de combustíveis vistoriados em Curitiba e na região metropolitana, ligados ao crime organizado e ao Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo relatório sigiloso obtido pela imprensa. A investigação, realizada de forma velada, constatou adulterações de combustíveis e irregularidades em bombas de abastecimento.
Agentes da PF usaram um caminhão sem identificação institucional para abastecer discretamente os 50 postos monitorados durante a Operação Tank. Em 46 deles, foram detectadas fraudes, incluindo mistura de combustíveis e a chamada “bomba baixa”, situação em que o volume fornecido é inferior ao pago pelo consumidor.
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Com base nos indícios, a Polícia Federal solicitou intervenção judicial na administração da rede de postos, mas a Justiça negou, considerando que a medida “não seria a solução” para os estabelecimentos usados para lavagem de dinheiro.
O relatório detalha ainda movimentações financeiras atípicas: em um único dia, os postos teriam recebido 12 mil depósitos em espécie, e investigados realizaram, em média, 2 mil depósitos fracionados para ocultar a origem dos recursos. O esquema incluía também repasses via transportadora de valores e instituições de pagamento.
A Operação Tank mira uma rede criminosa que atua desde 2019 e é suspeita de ter lavado ao menos R$ 600 milhões, movimentando mais de R$ 23 bilhões por meio de centenas de empresas, incluindo postos, distribuidoras, holdings e instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central.
Segundo a PF, a organização utilizava “laranjas”, transações cruzadas, repasses sem lastro fiscal, fraudes contábeis e simulação de aquisição de bens e serviços, além de explorar brechas no sistema financeiro para transações com aparente anonimato.
Dos 14 mandados de prisão expedidos, seis foram cumpridos, enquanto oito investigados continuam foragidos. A PF também abriu inquérito para apurar vazamentos sobre a operação, após constatar que alguns alvos haviam retirado carros e computadores de suas residências antes das ações.
A Operação Tank representa uma das maiores investigações de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis já realizadas no Paraná.
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