Paraná pede socorro federal para produtores afetados por temporais
Entidades rurais querem auxílio para quitar dívidas após perdas causadas por eventos climáticos
08/11/2025
A Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná enviou ao governo federal um documento em que apoia o pedido de entidades do agronegócio por medidas emergenciais para aliviar dívidas de produtores afetados por temporais. A carta foi assinada em conjunto com a Faep, a Ocepar, a Fetaep e a Unicafes-PR.
O texto foi endereçado à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e aos ministros Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) e Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária). O grupo relata uma situação crítica no campo, com prejuízos acumulados por conta de eventos climáticos e dificuldades financeiras para pagar custeios e investimentos.
Desde 2017, o estado enfrenta quebras de safra recorrentes. Na temporada 2021/22, a produção de soja, principal cultura paranaense, caiu 40%, com perdas regionais de até 82%. Em 2025, novas tempestades, ventos fortes e granizo atingiram pelo menos cinco regiões, destruindo lavouras, aviários e estruturas de armazenagem.
A carta também cita a crise na cadeia do leite, que sustenta milhares de agricultores familiares. O setor enfrenta queda no preço pago ao produtor, aumento de custos, concorrência com produtos importados e falta de políticas públicas estruturantes.
Segundo Marcelo Garrido, chefe do Departamento de Economia Rural da Seab, o documento reconhece o avanço da Lei nº 22.765/2025, sancionada nesta semana pelo governador Ratinho Junior. A norma proíbe o uso de leite em pó importado reconstituído para consumo no estado, mas o texto defende novas ações para reequilibrar financeiramente as propriedades rurais.
As entidades pedem ainda que o governo federal retome o objetivo original da MP nº 1.314/2025, que previa recursos para a liquidação ou amortização de dívidas de produtores afetados por desastres climáticos. De acordo com o grupo, a Resolução CMN nº 5.247/2025 limitou o alcance da medida ao exigir decretos municipais de emergência e perdas mínimas de 20% em dois dos três principais cultivos locais — o que teria excluído parte significativa dos produtores paranaenses.
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