Mulher presa por tráfico de animais silvestres nega acusações e alega distorções em ação da polícia
Advogadas afirmam que não houve maus-tratos nem falsificação de documentos, como alega a polícia
10/10/2025
Araras vermelhas estão entre as aves apreendidas no cativeiro; segundo as investigações, "origem do tráfico e documentos falsos"As advogadas da empresária de 43 anos (nome ainda não revelado) presa em Guarapuava na última quarta-feira (8) por tráfico de animais silvestres e uso de documentos falsos vieram a público nesta quinta-feira (09) para rebater as acusações feitas pela Polícia Civil do Paraná (PCPR), Polícia Militar do Paraná (PMPR) e Instituto Água e Terra (IAT). Segundo a "defesa técnica", representada pelas advogadas Nicéia Martin e Luciana Szeuczuk, “os fatos não ocorreram na forma descrita pela autoridade policial ambiental” e não há qualquer prova de maus-tratos ou de falsificação documental por parte da criadora.
A mulher está recolhida na carceragem da 14ª Subdivisão Policial de Guarapuava. A prisão foi efetuada após a apreensão de nove aves silvestres, incluindo araras-vermelhas, arara-macau, araras-canindé e um papagaio-verdadeiro. De acordo com a investigação policial, os documentos apresentados para justificar a posse legal dos animais – como notas fiscais e certificados de origem – eram falsificados.
As advogadas contestam essa versão. Em nota, afirmam que os animais “não eram mantidos em situação de cativeiro, tampouco submetidos a maus-tratos, inexistindo qualquer elemento que comprove privação de liberdade, sofrimento ou exploração com finalidade comercial”. Ainda segundo a nota técnica, os espécimes estavam “em condições adequadas de alimentação e bem-estar, sem qualquer indício de negligência ou crueldade”.
Sobre a acusação de uso de documentos falsos, a defesa sustenta que não há provas de que a empresária tenha produzido, utilizado ou se beneficiado de qualquer documentação ideologicamente falsa. “Há nítida distorção na interpretação das circunstâncias que ensejaram a lavratura do auto de infração”, diz o documento.
A defesa aguarda o andamento da instrução processual. “A verdade real será plenamente esclarecida”, afirmam as advogadas, reiterando confiança no devido processo legal.
O caso foi divulgado pela Agência Estadual de Notícias, órgão oficial do Governo do Paraná, e ganhou ampla repercussão no estado inteiro.
Resgate das aves silvestres que eram mantidas em cativeiro em Guarapuava
Operação teve apoio do Centro de Reabilitação da Unicentro
A operação policial para resgatar animais silvestres em cativeiro em Guarapuava foi realizada na quarta-feira (8) e teve apoio do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).
Em comunicado público, o Cetras informa que prestou apoio técnico à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente da Polícia Civil, em parceria com o Instituto Água e Terra (IAT) e a Polícia Militar, que resultou na apreensão de aves "mantidas ilegalmente em Guarapuava".
Foram resgatadas três araras de diferentes espécies e um papagaio-verdadeiro, "todos com documentação fraudada", segundo a instituição.
Segundo o coordenador do Cetras, professor Rodrigo Antonio Martins de Souza, o pedido de apoio foi feito pelos técnicos do IAT, que identificaram a necessidade de suporte especializado para garantir o bem-estar das aves durante o processo de captura e transporte.
“Os técnicos do IAT perceberam que haveria uma certa dificuldade de resgatar esses animais por conta do viveiro ser muito grande e não ter área de manejo. Nós, ali nos Cetras, estamos acostumados a conter esses animais e fomos para prestar esse apoio no resgate mais adequado possível, com material para primeiros socorros, o que fosse necessário para dar suporte para os animais que foram resgatados, que foram apreendidos”, explicou Rodrigo de Souza.
Durante a ação, parte das aves estava solta no local e não pôde ser capturada de imediato, devido à complexidade do ambiente. As demais foram contidas e resgatadas com o auxílio da equipe do Cetras, que "aplicou técnicas de manejo específicas para evitar ferimentos e reduzir o estresse dos animais".
Após o resgate, as araras foram encaminhadas ao Criadouro Onça Pintada, em Campina Grande do Sul (PR), que atua na conservação de espécies ameaçadas. Já o papagaio-verdadeiro permanece sob os cuidados do Cetras da Unicentro até que seja definido seu destino final.
Localizado no Câmpus Cedeteg, o Cetras é referência regional no acolhimento, tratamento e reabilitação de animais silvestres apreendidos ou resgatados, atuando em parceria com órgãos ambientais e de fiscalização na defesa da fauna e na educação ambiental.
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