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Motoboys ganham espaço em Guarapuava, mas convivem com trânsito hostil e invisibilidade

Avanço da categoria como alternativa de renda acende alerta para riscos e necessidade de conscientização no trânsito. Prefeitura sinaliza abertura de diálogo com profissionais

24/07/2025
Encontro promovido pela Secretaria Municipal de Trânsito de Guarapuava pretende abrir um novo ciclo para a circulação de motociclistas a trabalho na cidade, com consciência dos motoboys e apoio dos motoristasEncontro promovido pela Secretaria Municipal de Trânsito de Guarapuava pretende abrir um novo ciclo para a circulação de motociclistas a trabalho na cidade, com consciência dos motoboys e apoio dos motoristas

Nas ruas cada vez mais movimentadas de Guarapuava, um grupo de trabalhadores chama atenção pela presença crescente – e, ao mesmo tempo, pela falta de visibilidade. Os motoboys, que há alguns anos eram raros nas esquinas da cidade, hoje são centenas. Movimentam encomendas, refeições, medicamentos. Encaram o relógio, a chuva, os buracos. E, mais do que tudo, enfrentam um trânsito que ainda não aprendeu a dividir espaço.

A explosão de aplicativos de entrega, somada à escassez de empregos formais, transformou a moto em ferramenta de trabalho para muitos guarapuavanos. Mas, se a motocicleta virou sustento, o asfalto virou campo minado. O motofrete cresceu – e com ele, os acidentes.

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Secretário municipal de Trânsito, Péricles de Matos (no alto), na reunião com técnicos e representantes dos motoboys: “Precisamos desenvolver uma mentalidade de segurança, de obediência às leis e de valorização da vida”

“Somos pouco vistos. E quando nos veem, muitas vezes já é tarde”, resume Ronaldo Nascimento, um dos líderes da categoria na cidade. Ele participou da reunião promovida nesta quinta-feira (24) pela Prefeitura de Guarapuava, por meio da Secretaria de Trânsito e Transportes (Setran), com representantes dos motociclistas profissionais. O encontro, realizado durante a Semana Nacional de Prevenção a Sinistros com Motociclistas, teve como foco principal a busca por melhores condições de trabalho e segurança nas ruas.

Diferente de grandes centros como Curitiba ou São Paulo, onde o trabalho dos motoboys já é reconhecido – e, em certa medida, respeitado –, Guarapuava ainda engatinha na convivência com esse novo ator urbano. Por aqui, motoristas raramente abrem passagem para motos no corredor, manobra comum e legal nas cidades maiores. Pior: muitas vezes, essa negativa vem acompanhada de buzinas e xingamentos.

“Precisamos desenvolver uma mentalidade de segurança, de obediência às leis e de valorização da vida”, alertou o secretário de Trânsito, Péricles de Matos. Durante o encontro, dados sobre sinistros envolvendo motociclistas foram apresentados, além de campanhas educativas que reforçam a responsabilidade tanto dos condutores quanto dos motociclistas.

Responsabilidade compartilhada

Se há falta de empatia por parte de muitos motoristas, também há desafios do lado dos motoboys. Manobras arriscadas, excesso de velocidade e o uso incorreto dos equipamentos de segurança ainda são problemas recorrentes. “A conscientização tem que ser dos dois lados. Não dá pra jogar a culpa só em quem dirige carro, mas também não podemos aceitar ser tratados como invisíveis”, aponta Ronaldo.

O encontro da Setran, ainda que pontual, sinaliza uma tentativa de aproximação do poder público com a categoria – algo inédito até aqui. A ideia, segundo a secretaria, é transformar as escutas em políticas públicas permanentes, que envolvam infraestrutura, capacitação e, principalmente, educação no trânsito.

Enquanto isso, a rotina nas ruas segue sem pausa. Os pedidos não param de chegar, e o tempo urge. Em cima de duas rodas, os motoboys de Guarapuava continuam a costurar a cidade — entre o sustento e o risco, entre o anonimato e a urgência por respeito.

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