Mala pela janela: a "curiosa" atitude de empresário de Guarapuava e o Caso Master
Dinheiro lançado do 30º andar ampliou o foco da operação sobre Rioprevidência
12/02/2026
Uma nuvem preta de dúvidas paira sobre dois empreendedores que começaram a vida em Guarapuava e se tornaram grandes investidores da construção civil e do setor imobiliário na icônica Balneário Camboriú (SC). Depois que Igor Paganini, 40 anos, jogou um montante de R$ 429 mil em dinheiro pela janela de um edifício, os policiais federais que atuavam em outra operação, ligada ao Caso Master, passaram a se perguntar por que o empresário se precipitou em se desfazer da dinheirama.
O episódio ocorreu na quarta-feira (11), durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão da terceira fase da Operação Barco de Papel. A investigação, conduzida pela Polícia Federal, apura suspeitas de crimes contra o sistema financeiro envolvendo a gestão de recursos do Rioprevidência e investimentos de R$ 2,6 bilhões em fundos ou títulos ligados, direta ou indiretamente, ao Banco Master.
Os agentes cumpriam ordens expedidas pela Justiça Federal do Rio de Janeiro quando a mala foi arremessada do alto do Paganini Tower, empreendimento ligado à família. O dinheiro foi recolhido pelos policiais.
Inicialmente, o foco da investigação não era Igor. Fontes ouvidas por veículos de comunicação informaram que a apuração mirava sua companheira. O lançamento da mala, porém, alterou o rumo das suspeitas e levou o empresário a ser incluído na investigação, sob a hipótese de obstrução ou ocultação de provas.
Além da quantia apreendida, a PF recolheu dois veículos de luxo e dois celulares. Entre os bens está uma BMW que teria pertencido ao ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Antunes, e que, segundo investigadores, foi transferida a terceiros após a primeira fase da operação. Uma Porsche mencionada nas apurações ainda não foi localizada.
Antunes e os irmãos Rodrigo e Rafael Schmitz permanecem presos sob suspeita de obstrução de Justiça e destruição de provas. De acordo com a PF, documentos teriam sido retirados do apartamento do ex-dirigente antes da deflagração da operação, em 23 de janeiro. Também foram alvos na fase inicial os ex-diretores de investimentos do fundo, Eucherio Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal.
De Guarapuava ao boom imobiliário catarinense
Igor Paganini é filho de Ivo Paganini, corretor de imóveis que iniciou a trajetória profissional em uma imobiliária de Guarapuava. A partir da mudança para o litoral catarinense, a família expandiu os negócios no setor de construção civil, acompanhando a valorização acelerada de Balneário Camboriú, conhecida por arranha-céus de alto padrão e metro quadrado entre os mais caros do país.
Publicações institucionais indicam que Igor passou a atuar diretamente na apresentação de empreendimentos e na prospecção de investidores. Em 2015, a família consolidou a presença em Santa Catarina, com projetos verticais voltados ao público de média e alta renda.
Após a repercussão do caso, o perfil do empresário nas redes sociais deixou de estar disponível.
Defesa
Em nota, a defesa de Igor afirmou que ainda não teve acesso aos autos da investigação e que irá se manifestar nos meios adequados assim que conhecer o conteúdo do inquérito. O escritório responsável declarou que pretende colaborar com as autoridades e exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa.
A Construtora Paganini, por sua vez, afirmou não ser alvo da investigação e declarou que mantém suas atividades regulares no Paraná e em Santa Catarina.
A investigação corre sob sigilo. Nos bastidores, a pergunta que mobiliza os investigadores permanece sem resposta pública: o que levou o empresário a lançar, do alto de um dos prédios ligados à própria família, uma mala recheada de dinheiro vivo no exato momento em que a Polícia Federal batia à porta.
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