Guarapuava se torna base regional de apoio ao socorro e à reconstrução da tragédia
Desafios do presente que ajudam a construir o futuro
09/11/2025
Prefeito Denilson Baitala reunido com o governador Ratinho Júnior em Guarapuava, neste sábado (8), manhã seguinte ao tornado: estratégias para a reconstrução Quando o vento começou a dobrar árvores e levantar telhados na noite de sexta-feira (7), Guarapuava já estava em alerta. Havia dois dias, a prefeitura havia emitido um comunicado sobre a possibilidade de tempestades severas. O que ninguém sabia era que a frente fria que avançava do oeste se transformaria em um tornado de 250 quilômetros por hora e onde exatamente chegaria – um fenômeno raro, violento e imprevisível.
Em Guarapuava, o epicentro foi o assentamento Nova Geração, na Serra do Cadeado, próximo ao acesso ao distrito de Entre Rios. Um agricultor de 53 anos morreu. Casas foram arrancadas do chão, e granjas de suínos na Fazenda Noricum, a poucos quilômetros dali, foram destruídas.
A destruição provocada pelo tornado em Rio Bonito do Iguaçu (no alto) e em Guarapuava (acima)
Mas o que poderia ter sido um desastre ainda maior em Guarapuava – uma cidade de 190 mil habitantes – acabou sendo contido por uma rede de ações preventivas que, até poucos anos atrás, eram invisíveis aos olhos da população.
Durante décadas, regiões do Centro, no entorno da Praça Cleve, e bairros como Jardim das Américas e Paz e Bem eram sinônimo de enchente. Bastavam horas de chuva para que as águas invadissem casas, arrastassem móveis e provocassem prejuízos a milhares de famílias. A cada temporada, a Defesa Civil se via obrigada a montar abrigos temporários.
Isso começou a mudar há pouco menos de um ano, quando a administração do prefeito Denilson Baitala decidiu priorizar obras de drenagem e saneamento. A Secretaria de Obras e a SURG executaram um amplo programa de limpeza e canalização de córregos, ampliação de galerias e recuperação de margens.
Alagamentos em áreas centrais e periféricas de Guarapuava eram problemas crônicos, que agora não se repetiram
O resultado veio com o tempo. Em outubro, Guarapuava registrou volumes recordes de chuva, mas os alagamentos crônicos praticamente desapareceram. Quando o tornado atingiu a cidade, o sistema de drenagem resistiu. As ruas permaneceram transitáveis, não houve enchentes e as equipes puderam se deslocar rapidamente para o ponto mais atingido.
O alerta e a resposta
Às 21h20 de sexta-feira, as primeiras ligações chegaram à Defesa Civil. Pouco depois, o prefeito Baitala acionou o comitê de crise. Em menos de uma hora, máquinas da SURG abriram caminho na PR-170, bloqueada por árvores. Ambulâncias e caminhões com suprimentos seguiam logo atrás.
Os informes oficiais, coordenados pela Secretaria Municipal de Comunicação Social, continuavam ativos. O sistema de alertas – que havia emitido avisos 48 horas antes – agora informava o andamento, minuto a minuto, sobre os pontos de apoio.
Na outra ponta, a imprensa também entrou em plantão permanente. Além de buscas de informações em Guarapuava e Rio Bonito do Iguaçu (aqui, sem energia elétrica e internet), o Portal Paraná Central também foi ponte para veículos nacionais e internacionais (Editorias da Folha de S.Paulo e da agência Reuters).
Enquanto a chuva e o vento corriam soltos, a população apreensiva dentro de suas residências, os chamados de socorro pipocavam na Defesa Civil.
“O tempo entre o impacto e a chegada das equipes foi crucial. A resposta foi rápida, técnica e coordenada”, disse o coronel Péricles de Matos, secretário Executivo (interino) e responsável pela Defesa Civil.
O tornado também causou grandes prejuízos na Fazenda Noricum, do Grupo Leh's, destruindo granjas de suínos
O papel regional
Enquanto Guarapuava lidava com seus próprios danos, as primeiras ambulâncias de Rio Bonito do Iguaçu começaram a chegar. A cidade vizinha, de 14 mil habitantes, foi praticamente destruída pelo tornado. Os hospitais e UPAs de Guarapuava se tornaram o principal destino dos feridos.
Na manhã seguinte, Guarapuava se transformou no principal centro de operações logísticas do Paraná. O governador Ratinho Junior chegou à cidade e se reuniu com o prefeito Denilson Baitala e as forças de segurança para coordenar a resposta regional.
“Guarapuava se tornou o ponto estratégico para o envio de maquinário, equipes e doações aos municípios atingidos”, disse o governador.
Daqui, partiram os primeiros comboios com suprimentos, combustível e donativos. Só no sábado (8), dez caminhões deixaram a cidade carregados de mantimentos e roupas. O Corpo de Bombeiros, no bairro Primavera, foi convertido em central de triagem e distribuição.
A população de Guarapuava dá uma exemplar demonstração de solidariedade e apoio estratégico às vítimas do tornado
Uma cidade resiliente
Guarapuava faz parte, desde 2022, de um programa internacional de cidades resilientes. A iniciativa, inspirada em modelos da ONU, busca capacitar municípios a responder a desastres naturais com planejamento e estrutura.
Segundo Péricles de Matos, essa rede de preparação foi fundamental. “O que vimos foi o reflexo de um modelo de gestão que entende que eventos climáticos extremos não são exceção, mas parte de uma nova realidade”, afirmou.
O prefeito Baitala, que coordenou pessoalmente as ações na noite do tornado, defende que a experiência reforçou a importância de investir em prevenção. “Aprendemos que a diferença entre o caos e o controle é o planejamento”, disse.
Reconstrução e solidariedade
Nos dias seguintes, Guarapuava se tornou também o coração da solidariedade. Filas se formaram diante dos pontos de arrecadação. A Câmara Municipal, faculdades, igrejas, associações e escolas abriram espaços para voluntários.
Vereador Pedro Moraes, presidente da Câmara: "Todo apoio a quem precisa"
“Em menos de 24 horas, vimos a cidade inteira se mobilizar”, disse o presidente do Poder Legislativo, Pedro Moraes, enquanto carregava fardos de garrafas d'água que seriam enviados aos flagelados.
As doações continuam chegando. No quartel do Corpo de Bombeiros, voluntários se revezam para empacotar alimentos, roupas e cobertores.
O tornado deixou marcas, mas também um novo tipo de consciência – a de que prevenir e a solidariedade permanente, no sentido mais elevado da vida em comunidade, são tão importantes quanto reagir.
Em Guarapuava, essa lição já começou a moldar o futuro.
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