Guarapuava integra rede de implantes contraceptivos, com alta de 118% em todo o Paraná
Meta é ampliar o acesso a tecnologias de ponta para o planejamento reprodutivo
07/01/2026
Até julho de 2025, o acesso a essa tecnologia era restrito aos municípios que adquiriam os implantes anticoncepcionais por financiamento próprio ou por consórciosA ampliação do acesso ao implante anticoncepcional Implanon NXT na rede pública de saúde já começa a redesenhar o planejamento reprodutivo no interior do Paraná. Em Guarapuava, município contemplado na primeira fase da nova política do SUS, a incorporação do método de longa duração acompanha um salto estadual de 118% no número de inserções entre 2024 e 2025, segundo dados preliminares da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
De janeiro a novembro de 2025, foram realizadas 1.060 inserções do implante de etonogestrel em todo o Estado, mais que o dobro das 485 registradas no mesmo período do ano anterior. O crescimento coincide com a publicação de novas portarias do Ministério da Saúde, que ampliaram os critérios de indicação e permitiram a distribuição do contraceptivo a municípios que antes dependiam de recursos próprios ou de consórcios intermunicipais.
A mudança abriu espaço para cidades de médio porte, como Guarapuava, integrarem a estratégia estadual de fortalecimento do planejamento familiar. Até julho deste ano, o acesso ao implante era restrito a poucas localidades. Entre julho e novembro – período que marca a regulamentação federal e a remessa inicial de 25 mil dispositivos – foram feitos 762 procedimentos no Paraná.
Para o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, a expansão do método representa uma virada na oferta de cuidados reprodutivos no SUS. “Planejamento familiar é sobre ter opções e liberdade de escolha. A preocupação diária com a pílula pode ficar no passado. Agora, na rede pública do Paraná, há um método mais eficaz, moderno e seguro”, afirmou.
Embora Curitiba concentre o maior número absoluto de inserções (256), o avanço no interior evidencia a interiorização da política. Almirante Tamandaré (219), Piraquara (94), São Mateus do Sul (91) e Pitanga (22) aparecem na sequência entre os municípios com maior oferta, em dados ainda sujeitos a atualização.
Capacitação de equipes
Guarapuava está entre as 38 cidades com mais de 50 mil habitantes que receberam o contraceptivo nesta primeira etapa. Em novembro, gestores e profissionais de saúde do município participaram de uma oficina promovida pela Sesa para capacitação de equipes médicas e de enfermagem da Atenção Primária à Saúde (APS), com a missão de multiplicar o treinamento nas unidades básicas.
Segundo a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, a qualificação das equipes é decisiva para o sucesso da política. “A inserção do implante amplia o cuidado, reduz desigualdades e fortalece os direitos sexuais e reprodutivos de mulheres e adolescentes”, disse.
O Implanon é um método reversível e de alta eficácia, com duração de até três anos, sem necessidade de intervenções durante esse período. Após a remoção, a fertilidade retorna rapidamente, e um novo implante pode ser inserido na própria UBS, caso haja interesse da usuária.
Hoje, entre os métodos disponíveis no SUS, apenas o DIU de cobre e o implante hormonal são classificados como LARC – contraceptivos reversíveis de longa duração – considerados mais eficazes por não dependerem do uso contínuo ou correto.
Além de Guarapuava, a lista de municípios atendidos inclui cidades como Londrina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu e União da Vitória. A previsão da Secretaria de Saúde é que, no próximo semestre, o implante esteja disponível nas 22 Regionais de Saúde do Paraná, ampliando o acesso ao planejamento reprodutivo em todo o Estado.

