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Guarapuava começa a estruturar produtos de experiência de olho no turismo

Proposta em construção visa transformar atrativos locais em experiências turísticas comercializáveis

13/08/2026
Mais uma iniciativa em Guarapuava com objetivo de estimular o desenvolvimento do Mais uma iniciativa em Guarapuava com objetivo de estimular o desenvolvimento do "trade" turístico no município. Investidores estão prontos com seus negócios. O desafio é unificar o ecossistema com propostas verdadeiramente factíveis.

Guarapuava começou a estruturar uma nova frente para o desenvolvimento do turismo: a criação de produtos turísticos de experiência. A proposta ainda está em fase de construção e ganhou uma etapa de capacitação nos dias 10 e 11 últimos, quando a Secretaria Municipal de Turismo e Eventos, em parceria com o Sebrae, reuniu representantes do trade turístico no workshop “Criando Produtos Turísticos de Experiência”.

A iniciativa integra as ações do programa Destinos Turísticos Inteligentes (DTI) e pretende preparar empresários e empreendedores para transformar elementos que já fazem parte da identidade de Guarapuava – como gastronomia, produção artesanal, propriedades rurais, paisagens e cultura – em experiências organizadas e, futuramente, comercializáveis.

O conceito vai além de simplesmente oferecer um ponto turístico ou um serviço. Um produto de experiência envolve a participação do visitante em uma atividade planejada, capaz de proporcionar contato com a cultura, os sabores, as histórias e o modo de vida do destino.

Uma vinícola, por exemplo, pode deixar de oferecer apenas a venda de seus produtos e estruturar uma experiência que envolva visita à propriedade, apresentação do processo de produção, contato com a história da família e degustação.

O mesmo pode ocorrer em propriedades rurais, restaurantes, empreendimentos de turismo de natureza, ateliês de artesanato e outros negócios.

O objetivo é fazer com que aquilo que já existe no território seja organizado como uma experiência turística, com roteiro, atendimento, duração, público-alvo, preço e possibilidade de comercialização.

Uma proposta sendo construída

O momento é de identificação de potencialidades, qualificação dos empreendedores e construção das propostas. A partir desse processo, a expectativa é que os participantes possam desenvolver experiências próprias e aperfeiçoar atividades que já oferecem. Há, porém, experiências que já são desenvolvidas há muito tempo, na cidade e no interior do município.

A capacitação foi conduzida pela consultora credenciada do Sebrae Ana Paula Soliman, especialista em desenvolvimento de produtos turísticos de experiência. Durante os dois dias, os participantes trabalharam metodologias para identificar oportunidades e transformar potenciais ligados à gastronomia, à produção artesanal e às paisagens em experiências estruturadas.

“O turismo de experiência é hoje uma das principais tendências do setor. Não basta mais oferecer um produto ou serviço isolado, o visitante busca vivência, conexão com a identidade local”, afirmou Ana Paula.

Da atração ao produto

A diferença entre ter um atrativo e possuir um produto turístico está justamente na estruturação.

Uma paisagem, uma propriedade rural ou uma produção gastronômica podem ter valor turístico, mas precisam ser organizadas para receber visitantes de maneira profissional. Isso envolve definir como será a visita, quem será atendido, quanto tempo durará a atividade, quais serviços serão oferecidos e como a experiência poderá ser divulgada e comercializada.

É esse caminho que Guarapuava pretende ver consolidado, com participação direta da iniciativa privada e apoio de setores  governamentais. 

Para a vice-prefeita e secretária de Turismo, Rosângela Virmond, o processo representa uma mudança na maneira de pensar o setor.

“Guarapuava está vivendo um novo momento no turismo. O DTI é fundamental nessa transformação porque nos ajuda a pensar o destino de forma mais estratégica e integrada, conectando poder público, iniciativa privada e, principalmente, as pessoas que fazem o turismo acontecer”, afirmou.

Profissionalização do turismo

Entre os participantes estava Tatiane Romitti, proprietária de uma vinícola. Para ela, a capacitação mostrou a importância de preparar os empreendimentos para receber visitantes.

“Participar desse workshop foi além das minhas expectativas porque mostrou que, para recebermos turistas, temos que estar preparados, com excelência no receptivo. O turismo tem que ter profissionalismo dentro dele”, disse.

O chamado receptivo é um dos elementos centrais do turismo de experiência. A proposta não se limita ao atrativo em si, mas envolve a maneira como o visitante é recebido, orientado e conduzido durante a atividade.

Próximos passos

O workshop faz parte de um processo mais amplo de qualificação da cadeia turística de Guarapuava. A intenção é que o conhecimento adquirido pelos participantes contribua para a construção gradual de novos produtos e experiências, fortalecendo a identidade do destino e ampliando sua competitividade.

Neste momento, portanto, a principal novidade não é uma lista de atrações já disponíveis, mas o início de um processo para transformar potencialidades locais em produtos turísticos estruturados.

A aposta é que, ao longo desse processo, atividades relacionadas à gastronomia, ao turismo rural, à produção artesanal, à natureza e à cultura possam ganhar novos formatos e, futuramente, integrar uma oferta mais diversificada de experiências para quem visita Guarapuava.

A estratégia coloca o município diante de um desafio: transformar aquilo que já existe em experiências capazes de gerar valor econômico, fortalecer a identidade local e criar novas razões para o turista conhecer e permanecer mais tempo no destino.

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