Fenômeno climático que atingiu Santa Maria do Oeste foi um tornado
Guarapuava teve maior volume de chuvas do Paraná na segunda-feira
24/09/2025
A destruição em Santa Maria do Oeste: tornado categoria F1SANTA MARIA DO OESTE – Um tornado de categoria F1 atingiu a cidade de Santa Maria do Oeste, no centro do Paraná, no início da madrugada de segunda-feira (22), segundo confirmação do Simepar, o sistema estadual de monitoramento meteorológico. O fenômeno ocorreu durante a passagem de uma frente fria que varreu o estado, provocando também rajadas de vento que quebraram recordes históricos em diversas regiões.
A análise, conduzida por meteorologistas do Simepar, combinou imagens de radar meteorológico, registros aéreos por drone e vídeos fornecidos por autoridades locais. A conclusão foi de que uma nuvem funil tocou o solo em alguns momentos, caracterizando um tornado de intensidade moderada. Segundo a Escala Fujita, utilizada internacionalmente para classificar tornados, um F1 pode apresentar ventos entre 117 km/h e 180 km/h. As estimativas iniciais apontam que as rajadas em Santa Maria do Oeste chegaram a cerca de 120 km/h.
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“Através das imagens foi possível observar padrões convergentes típicos de tornados, como árvores tombadas em direção a um ponto comum e destelhamentos alinhados à trajetória do fenômeno”, explicou Leonardo Furlan, meteorologista do Simepar.
Embora os ventos tenham causado destruição significativa, os especialistas observaram que grande parte do impacto se deu de forma linear, característica comum em frentes frias intensas. No caso de Santa Maria do Oeste, os estragos mais severos seguiram uma linha descontínua desde a zona oeste até a região central do município.
Ventos extremamente fortes em todo o Estado
O evento climático também provocou rajadas de vento que superaram os registros históricos de diversas estações meteorológicas do Simepar, algumas operando há mais de uma década. Em Ubiratã, por exemplo, os sensores registraram ventos de 121 km/h – os mais fortes desde o início do monitoramento local em 2017.
Outras cidades também enfrentaram rajadas incomuns:
Altônia (Noroeste): 102,2 km/h — maior registro para o mês desde 2017.
Antonina (Litoral): 70,9 km/h — maior desde junho de 2020.
Francisco Beltrão (Sudoeste): 85,7 km/h — maior desde março de 2018.
Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro): 105,8 km/h — maior desde novembro de 2023.
Os dados confirmam a intensidade da frente fria que atravessou a região entre o domingo e a segunda-feira.
Relâmpagos, chuvas e quedas de temperatura
A tempestade também trouxe chuva intensa e grande atividade elétrica. Em apenas 36 horas, entre domingo e segunda-feira, foram registrados 28.524 raios no território paranaense. Quase todos os 399 municípios do estado foram atingidos por descargas atmosféricas. Guarapuava liderou com 756 ocorrências, seguida por Jaguariaíva (624) e Reserva (494).
Os volumes de chuva foram mais expressivos na segunda-feira, com destaque para:
- Guarapuava: 100,7 mm
- Ouro Verde do Oeste: 102,2 mm
- Ubiratã: 92,6 mm
A passagem da frente fria também derrubou as temperaturas. Na terça-feira (23), Guarapuava registrou 1,1°C, e houve geada em diversas localidades, incluindo a Região Metropolitana de Curitiba. A quarta-feira (24) apresentou mínimas mais altas, com tendência de aquecimento gradual nos próximos dias.
Impactos climáticos mais amplos
O episódio marca mais um ponto em uma série de eventos extremos registrados no Paraná ao longo de 2025. Meteorologistas apontam que, além da chuva irregular durante o inverno, os episódios de vento intenso e queda abrupta de temperatura reforçam os sinais de um clima cada vez mais instável no sul do Brasil.
A busca por certificações ambientais e estratégias de adaptação climática também tem crescido na região. O número de municípios que solicitaram o “Selo Clima Paraná – Cidades”, uma iniciativa estadual para promover boas práticas em gestão ambiental, aumentou 154% nos últimos 12 meses, segundo dados oficiais.
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