Ex-dono de cerealista pode pegar 30 anos de prisão
Celso Fruet responde a investigações que apontam desvios de R$ 20,3 milhões
16/11/2025
Celso Fruet foi preso sexta-feira em Francisco Beltrão, acusado de lesionar 120 agricultores entre Guaraniaçu e Campo Bonito, no Oeste paranaenseA carreira de um empresário rural que por décadas simbolizou uma história clássica de sucesso no agronegócio paranaense terminou em denúncia criminal, fuga e prisão. Celso Fruet, dono da Cerealista Fruet – empresa que durante anos movimentou grãos no oeste do Paraná – foi preso na manhã de sexta-feira (14) em Francisco Beltrão (Sudoeste do Paraná), suspeito de aplicar golpes que lesaram ao menos 120 agricultores em Campo Bonito (Oeste). Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), o prejuízo estimado chega a R$ 20,3 milhões.
Fruet era considerado um operador tradicional no mercado de grãos da região, com três décadas de atuação. A suspeita do MP é que o empresário, mesmo após vender o negócio para a cooperativa Coopavel (Cascavel, também no Oeste), em junho, continuou recebendo cargas de soja e trigo sem efetuar o pagamento.
Celso Fruet: carreira de empresário rural encerrada com prisão
Em julho, os produtores descobriram que a cerealista havia sido fechada – e vendida – sem qualquer aviso prévio.
A prisão foi realizada por policiais civis de Guaraniaçu, que assumiram o caso. Segundo a delegada Raiza Bedim, uma equipe monitorava Fruet havia semanas em Francisco Beltrão. Ele foi abordado em um parque da cidade e encaminhado à cadeia pública de Cascavel.
A delegada estima que a pena pode ultrapassar 30 anos, dado o volume de vítimas.
O drama dos agricultores
Produtores afetados relatam meses de tensão. Silvana Alves, que mantém 400 hectares com a família entre Guaraniaçu e Campo Bonito, afirmou que 40% da produção de soja estava armazenada na cerealista. “Recebemos a notícia com alívio. Foram meses de aflição”, disse.
A denúncia formal do MP foi apresentada em 10 de outubro. O órgão afirma que Fruet “adquiriu e recebeu mercadorias sem realizar os respectivos pagamentos”, e que se valeu da relação de confiança construída ao longo dos anos. O empresário foi denunciado por 124 ocorrências de estelionato, 38 delas contra idosos. A Promotoria também aponta indícios de práticas semelhantes nos municípios de Capanema e Catanduvas, já prescritas.
Além da condenação penal, o MP pede pagamento mínimo de reparação aos agricultores.
A defesa de Fruet ainda não se pronunciou.
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