VACINA JÁ

Empresários pedem volta do comércio e Celso Góes adia decisão

Setor se reuniu com prefeito e assessores em videoconferência neste domingo

Domingo, 30 de maio de 2021

Ficou para esta segunda-feira (31) a decisão sobre o novo decreto municipal em Guarapuava que vai regulamentar o funcionamento do comércio e a circulação da população a partir de terça-feira (1º), data em que expira as normas ainda em vigor. Representantes do setor empresarial reuniram-se no final da tarde deste domingo com o prefeito Celso Góes, em videoconferência, para expor a posição das entidades, basicamente de que é preciso encontrar uma alternativa que não seja a continuidade do fechamento do comércio e indústria.

Pelo decreto atual, as atividades só estão sendo permitidas através de “delivery” (encomenda de entregas por aplicativos) até meia-noite e retirada no balcão até 20 horas. O “toque de recolher” é das 20 horas até 6 h da manhã seguinte.

A reunião foi coordenada pelo prefeito Celso Góes e pelas equipes da área sanitária e indústria e comércio da Prefeitura Municipal. Do lado dos empresários, participaram a presidente da Associação Comercial e Empresa de Guarapuava (Acig), Elaine Scartezini; o presidente do Sindicato do Comércio Varejista, Abrahão Melhem; dos supermercadistas, Maurício Hyczy; o vice-presidente da regional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Ronaldo Boese; entre outros.

Também participaram da videconferência o secretário municipal da Saúde de Guarapuava, Jonilson Pires; o odontólogo René Santos, consultor em assuntos estratégicos na área de saúde; e o presidente da Associação dos Municípios do Centro do Paraná (Amocentro), Mailcol Callegari Barbosa.

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Mais 5 mortes e 129 casos de Covid-19 em Guarapuava

Apesar da importância da reunião e de se tratar de um tema de interesse público, o “link” da videoconferência não foi disponibilizada à imprensa.

Assim mesmo, o Portal Paraná Central apurou que a fala do prefeito Celso Góes foi em defesa da permanência, ao máximo possível, das medidas que imponham limitações na circulação e aglomeração de pessoas. Segundo as informações, o prefeito e seus assessores expuseram estatísticas que demonstram a “situação caótica” da pandemia da Covid-19 em todos os municípios da Região Central do Estado e que há um esforço conjunto entre estes municípios, com “lockdown”, para conter o avanço do coronavírus. (Só neste sábado e domingo, foram anunciadas 14 mortes em Guarapuava)

PREJUÍZOS ACUMULADOS

Os empresários dizem que entendem a realidade, mas ressalvam que a situação financeira das empresas já chegou no limite. No segmento dos bares e restaurantes, por exemplo, que é um dos mais afetados pelo fechamento, a Abrasel regional calcula que seus associados acumulam perdas de 70%.

O vice-presidente da Abrasel adverte que, se o decreto for estendido, o setor fica na iminência de quebras e endividamento. “Teremos funcionários e fornecedores sem receber, pois a nossa receita não condiz com a totalidade dos nossos compromissos e por isso muitos vão sucumbir sem nenhuma ajuda ou apoio de nenhum setor público deste País”, afirmou Ronaldo Boese, em comunicado dirigido aos associados da Abrasel. “Fui taxativo nessa ideia para que, de alguma forma, os órgãos competentes tenham alguma atitude assertiva em relação ao comércio”, acrescentou.

O prefeito Celso Góes está com um sério problema para resolver. Depois de duas semanas em vigor do novo decreto – instituído para arrefecer a proliferação do vírus, que colocou Guarapuava como epicentro da pandemia no Paraná –, os números atuais demonstram o colapso total na área de saúde, com aumento expressivo de pacientes, mortes e falta de vacina, leitos nos hospitais e nas unidades de saúde. Simultaneamente, há o esgotamento físico-emocional dos profissionais que atuam na linha de frente da pandemia.

Este quadro desolador se reflete na população, cada vez mais assustada com as mortes e os índices diários da Covid-19. O último boletim, publicado neste domingo, contabiliza um total de 426 mortes desde o início da pandemia e 129 novos casos de pacientes testado positivo, além de 130 que estão sob investigação (aguardam exames). Pela média, o número de pacientes com o vírus ativo (com a infecção neste momento) ficou em 2.000 na última semana, com uma queda neste fim de semana (passou de 2.200 e baixou a 1.849 neste último boletim).

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