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Após 10 anos, Rodrigo Bastos volta a competir

Um dos grandes nomes nacionais da fossa olímpica, dentista leva uma vida discreta em Guarapuava

15/06/2025

O atirador guarapuavano e campeão mundial de fossa olímpica, Rodrigo Bastos, retorna aos campeonatos neste fim de semana após 10 anos anos de pausa.

O ritmo de Bastos já não era tão grande, por causa de sua dedicação à profissão de dentista, em Guarapuava. E acabou se distanciando por completo nesta última década, até que, agora, ele resolveu voltar a competir. 

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O motivo é que o campeonato é em Curitiba, a 247 quilômetros de Guarapuava, e num fim de semana. Aos 57 anos, com uma coleção de títulos mundiais, incluindo participação numa Olímpiada, Bastos até tentou, mas não conseguiu ficar fora de um campeonato. 

Tempo para treinar? Praticamente nenhum. O virtuosismo do atirador não é nenhuma novidade: desde que começou, aos 12 anos, estimulado pelo pai, o falecido dentista Norton Bastos, Rodrigo ia às competições e retornava com troféus. 

Quando se formou odontólogo, a vida mudou muito. Mesmo porque, o "tiro ao prato", como é popularmente conhecida, é uma modalidade cara. Com poucos patrocinadores, o apoio do pai foi decisivo.

Rodrigo iniciou no tiro por influência do pai, que era um praticante, e também seguiu a profissão do Dr. Norton. "O pai deixou de atirar por causa de mim. Não era possível nós dois, o custo era muito alto. Ele investiu  tudo em mim" – conta Rodrigo, com orgulho de ser um filho campeão. 

"Filho de Guarapuava", Rodrigo Bastos foi um dos primeiros "Bicho do Paraná", título que reconhece grandes talentos paranaenses. 

Hoje, continua mantendo a tradição. Para orgulho dos guarapuavanos e, com certeza, da história iniciada pelo inesquecível Dr. Norton.

Da Praça Santa Terezinha a uma coleção de títulos ​​​​​

Em um país cuja tradição esportiva costuma orbitar em torno do futebol, o nome de Rodrigo Bastos desponta como exceção de precisão e resiliência. Com mais de quatro décadas dedicadas ao tiro esportivo, o paranaense é hoje uma das figuras mais respeitadas do trap latino-americano, símbolo de uma carreira marcada pela constância e pelo domínio técnico.

Bastos estreou no cenário internacional com apenas 14 anos e, desde então, construiu uma trajetória singular. Sua primeira participação olímpica foi o ápice de uma carreira marcada com competições vitoriosas, até chegar em Tóquio, no Japão, o sonho de muitos.

Do menino que cresceu brincando na Praça Santa Terezinha, no Bairro dos Estados, Rodrigo viu o mundo entre  os extremos olímpicos. Acumulou medalhas e títulos que o consolidaram como referência continental. O ouro no Pan-Americano de 2003, em Santo Domingo, é considerado seu ponto mais alto. Soma-se a esse feito uma prata em Indianápolis (1987) e um bronze por equipes em Lima (2019), além de dezenas de títulos nacionais.

Discreto fora das linhas de tiro, Bastos é conhecido pelo comportamento metódico, pela rotina espartana e pelo rigor técnico. A precisão de seus disparos parece refletir sua visão sobre o esporte: o tiro é a arte de controlar o caos interno em milissegundos.

Enquanto o Brasil caminha na consolidação do tiro esportivo como modalidade de massa, Bastos figura como um mentor para as gerações mais jovens, frequentemente presente em clínicas e programas de desenvolvimento.

À semelhança dos grandes mestres, sua carreira é menos feita de explosões midiáticas e mais de silêncios calibrados — como aqueles que antecedem um tiro certeiro.

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