Geral > TRAGÉDIA NA 277

“Policiais não tinham outra alternativa”, avalia a PM sobre a perseguição na 277

Dúvidas foram levantadas por leitores do Portal Paraná Central e do Viva Guarapuava

31/03/2024

O 16º Batalhão de Polícia Militar respondeu a questionamentos de leitores do Portal Paraná e do Viva Guarapuava, que levantaram dúvidas sobre a atuação de policiais da Rotam na abordagem e posterior perseguição ao veículo Gol de um homem, identificado como Diego Rafael, suspeito de estar fazendo tráfico na Avenida Manoel Ribas. Durante a perseguição, por volta das 20h30 e na quinta-feira, véspera de feriadão, o suspeito entrou pela contramão da BR-277 e acabou batendo frontalmente contra um Siena, matando o motorista, o cabo do Exército Ronaldo Jordão, e deixando gravemente feridas a esposa e a filha de 4 anos do casal. No trajeto, a viatura policial seguiu pelo acostamento, procurando monitorar Diego Rafael, enquanto esperava a chegada de mais viaturas para bloquear a passagem do infrator.

O BPM comunicou que vai abrir sindicância interna para avaliar a atuação dos policiais, mas, de antemão, deixou claro que não restava alternativa, naquele momento, a não ser sair no encalço do suspeito, que preferiu fugir a atender à ordem de parada, feita por sinais sonoros (sirena) e luminosos (giroflex). Leitores questionaram se os policiais deveriam ter dado continuidade à perseguição quando o suspeito passou a usar a contramão da BR-277, o que pode ter contribuído para o criminoso prosseguir na fuga. Segundo o Batalhão, caso não ocorresse a perseguição, a atitude dos policiais poderia ser interpretada como “prevaricação”, situação em que um agente público deixa de cumprir o seu dever. “Os policiais realizaram o acompanhamento a fim de verificar o motivo da fuga”, diz a nota.

NÃO CHEGARAM A TEMPO

Para explicar o “modus operandi” ao longo da perseguição, no qual a viatura da Rotam prosseguiu o monitoramento circulando pelo acostamento, o 16º BPM relatou que os policiais tentaram pegar a via marginal à 277, mas não conseguiram porque não havia acesso. Outras equipes estavam vindo em sentido contrário, acionadas pela Rotam, mas chegaram depois da batida entre o Gol de Diego Rafael e o Siena da família do cabo Ronaldo Jordão. Antes desta colisão, Diego Rafael atingiu a lateral de uma Ranger, que, por ato contínuo, colidiu-se contra a viatura policial, deixando-a imobilizada. Os policiais seguiram a pé, por cerca de 300 metros, para atender o acidente entre o carro do suspeito e do militar, que já estava morto. O infrator foi levado pelo SAMU para o Hospital São Vicente, junto com a mãe e filha, com lesões graves.

O advogado Marinaldo Rattes, que defende Diego Rafael e entrou com pedido judicial para que ele responda ao inquérito em prisão domiciliar, disse que “nada de ilícito” foi encontrado no carro de seu cliente relacionado ao tráfico de drogas. A ação policial, segundo o boletim de ocorrência da PM, foi em decorrência de suspeitas levantadas pelo serviço de inteligência segundo as quais um homem num Gol branco vinha traficando na Avenida Manoel Ribas. Naquela noite, segundo o boletim, os policiais da Rotam desconfiaram das mesmas características do carro de Diego Rafael e foram surpreendidos com a fuga do suspeito quando tentavam abordá-lo para checar as informações. A PM relatou ter encontrado no Gol, após o acidente, uma CNH falsa e uma balança de precisão, ferramenta normalmente usada por traficantes. 

A nota salienta que a PM não fará comentários sobre as alegações do advogado Marinaldo Rattes, por se tratar de aspectos no âmbito jurídico. 

Veja a íntegra da nota enviada pelo 16º BPM ao Portal Paraná Central:

“A Polícia Militar age de acordo com preceitos legais, o veículo não atendeu a ordem de parada e os policiais realizaram o acompanhamento a fim de verificar o motivo da fuga. O não acompanhamento poderia ser entendido como a prevaricação dos policiais, deixando um indivíduo, que desobedeceu a ordem de parada, fugir sem fazer nada. 
Foi tentado realizar o bloqueio do veículo com outras viaturas que estavam na operação, mas elas não conseguiram chegar na via antes da fatalidade. O veículo em fuga entrou na contramão da direção e a viatura policial seguiu pelo acostamento, realizando a sinalização com o uso da sirene e giroflex. Poderia ter sido feito o uso da marginal, no entanto, em um primeiro momento, eles não tinham como acessá-la. Dados os fatos, foi preferido fazer o acompanhamento pelo acostamento.

No que se refere a abordagem policial, em princípio, todos os procedimentos legais foram atendidos, mas a Polícia Militar, por meio de uma sindicância, irá analisar todos os pontos no que se refere a atuação dos policiais. 

A Polícia Militar prima pela segurança de todos os cidadãos, esta ação inclusive, se deu buscando cessar o crime de desobediência e direção perigosa, que estava colocando em risco não apenas os demais envolvidos no acidente, mas todos que transitavam pela via no momento. Reforçamos que os policiais tentaram de todas as maneiras fazer com que o veículo parasse, a ação dos policiais foi um acompanhamento decorrente da fuga do suspeito.

Não entramos no mérito dos questionamentos da defesa, essa questão é com o advogado.”

    ;

    Últimas Notícias