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Julgamento de Sérgio Moro dita o ritmo das eleições municipais no Paraná

TRE analisa ações que pedem a cassação do mandato do senador 

01/04/2024

O julgamento que poderá mudar os rumos das eleições municipais no Paraná começa a ser definido a partir de hoje, estendendo-se ao longo da semana, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Quem está no banco dos réus é o senador Sérgio Moro, o outrora superpoderoso juiz da Lava Jato, hoje sendo julgado por crimes contra o sistema eleitoral e que podem levar à cassação do seu mandato, com consequente convocação de nova eleição no estado.

A ação é movida pela federação PT/PV, arquirrival de Sérgio Moro, pelo histórico que ex-juiz tem com a prisão do presidente Lula e de outras figuras exponenciais do partido. Mas, para quem acha que seja um movimento de “esquerdistas” sedentos pela revanche, eis o fato de que o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, também é signatário do mesmo pedido.

Sérgio Moro é acusado de abuso do poder econômico, de uso indevido das redes sociais, caixa 2, além de atentar contra normas de arrecadação e gastos eleitorais na pré-campanha de 2022.
Pelas movimentações internas no Tribunal Regional, cogita-se uma tendência favorável à cassação. Comentários de bastidores chegaram a dizer que, se depender de Lula, os advogados petistas não farão muita força para que Moro seja sacado do mandato ainda este ano. Uma das interpretações é de que o PT do Paraná não está, neste momento, suficientemente maduro para entrar numa disputa, para vencer. O recomendável, agora, seria colocar energia para eleger o aliado Luciano Ducci (PSB) prefeito de Curitiba e sair da eleição municipal com robustez para escalar um degrau superior na disputa por espaço político no Paraná. Outras fontes, contudo, dizem que Lula nunca fez este tipo de comentário.

PRÉ-CANDIDATOS

No PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional do partido, e o deputado federal Zeca Dirceu, ex-líder do partido na Câmara Federal, disponibilizaram seus nomes como pré-candidatos caso ocorra eleição suplementar. Pela direita, vêm o deputado federal licenciado Ricardo Barros (PP) e o ex-deputado federal e jornalista Paulo Martins (PL), que ficou em segundo lugar nas eleições para o Senado em 2022 (1.456.652 votos ou 29,10% do total), atrás de Sérgio Moro, eleito com 1.918.667 sufrágios (33,71%). 

Gleisi Hoffmann

Ricardo Barros

Paulo Martins

Zeca Dirceu

Como uma nova eleição para o Senado fatalmente seria realizada no mesmo dia do pleito municipal, em 6 de outubro, considerando que o TRE não dispenderia vultosos recursos financeiros para promover dois processos eleitorais em diferentes épocas num só ano, a hipótese de uma disputa combinada entre candidatos ao Senado e prefeitos e vereadores trará um cenário de disputas acirradas nos municípios. 

EMBATE JURÍDICO

Uma tese não descartável é de que Sérgio Moro seja cassado em 1ª instância, no TRE do Paraná, mas a decisão final, que cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, seja protelada para 2025. Desta forma, Moro ficaria na corda-bamba, como uma peça pronta para ser extirpada do tabuleiro político, com data e hora marcada. Isto serviria, ainda, na possibilidade, nunca dispensável, de que Moro seja inocentado no Paraná e o recurso suba à Capital Federal com o freio de mão puxado. 

Numa análise sobre os nomes com potencial eleitoral, a candidatura de Paulo Martins sinaliza com relativa prevalência, pelo rescaldo da vantagem de 2022. Ricardo Barros surge para dividir dentro do mesmo campo. É um conclave intestinal, pois, embora pertençam à mesma linha de direita e centro-direita, Paulo Martins deve contar com apoio irrestrito do governador Ratinho Jr (PSD), que teria acertado o controle do PL paranaense em recente encontro com Bolsonaro, enquanto Ricardo Barros navega em terreno independente, em um corredor de conversa sempre aberto com o PT. 

HIPÓTESES E CONSTRUÇÕES

O pragmatismo eleitoral da cúpula petista do Paraná, que renunciou à cabeça-de-chapa na eleição em Curitiba para apoiar Luciano Ducci e pode fazer o mesmo com a vice, escolhendo o deputado estadual Goura (PDT), não desautoriza supor que Gleisi Hoffmann abandonaria o sonho imediato de retornar ao Senado, pensando em 2026. Para as eleições atuais, ela ficaria ao lado de quem tenha melhores condições de vitória, queira compor com o governo Lula e apoie a candidatura de Ducci na capital. O embate, neste caso, ficaria polarizado entre Paulo Martins, apoiador da candidatura do atual vice-prefeito Eduardo Pimentel à prefeitura da capital (junto com o prefeito Rafael Greca e Ratinho Jr), tendo Ricardo Barros e a esquerda como oponentes.

O segundo cenário, o mais aceitável dentro dos princípios programáticos, é o PT definir entre Gleisi Hoffmann e Zeca Dirceu, que postulam a candidatura se Moro for cassado. Zeca Dirceu procura ampliar presença em várias regiões do Paraná, inclusive na região de Guarapuava, com ações de seu mandato na Câmara Federal, mas Gleisi Hoffmann tem se saído melhor no enfrentamento por espaço no partido. Na escolha de Luciano Ducci, Deca Dirceu alinhava-se à proposta de candidatura própria, mudou seu domicílio eleitoral para a capital, e Hoffmann fez prevalecer o apoio determinante da executiva nacional ao pessebista. A líder petista avaliaria que participar da eleição suplementar fortalece seu nome para 2026, eleições que coloca em jogo a reeleição do presidente Lula.

Ricardo Barros está no secretariado de Ratinho Junior (Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços), e no seu sexto mandato como deputado federal, foi líder do governo Bolsonaro e não esconde elogios ao presidente Lula.  

Apesar da votação de Paulo Martins em 2022, o que se observa, na presente disputa, são as investidas de Ricardo Barros no interior. Em Guarapuava, Barros conseguiu trazer o ex-prefeito Cesar Silvestri Filho como seu maior aliado. A direção municipal deverá ficar com o professor Pablo Almeida, que está se desincompatibilizando do cargo de secretário da Educação para retornar ao seu mandato de vereador e concorrer à reeleição. O engenheiro Halmuth Brandtner, presidente da SURG, vai deixar a presidência do PSDB para compor a executiva do PP. O “Alemão da SURG”, como é conhecido, é o mais cotado para ser candidato a vice-prefeito, se o partido consagrar seu aval à reeleição do prefeito Celso Góes.

Se para os pré-candidatos a prefeito e a vereador a “janela partidária” é de grande importância, as lideranças estaduais dependem do máximo de candidatos eleitos em 2024 para definir um quadro mais tranquilo para 2026. Sob a bandeira do bolsonarismo, Ratinho Junior deixará o Palácio Iguaçu de olho no Senado ou até na presidência da República, esforçando-se para deixar o prefeito curitibano Rafael Greca em sua cadeira. Os lulistas tendem a criar uma frente de centro-esquerda, mirando na permanência de Lula e de um Congresso que lhe favoreça a governabilidade. 
A eleição em Curitiba é um grande termômetro, e o interior segue na mesma escala.

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