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Abuso e imperícia dos seguranças, criminoso frio, legítima defesa. O que aconteceu no crime no Conradinho?

26/03/2024

Dezenas de seguidores do Viva Guarapuava e Portal Paraná Central responderam a uma enquete sobre a execução a tiros de dois seguranças, Vanderley Antônio de Lima (31 anos) e Edinéia Gonçalves Oliveira (32), , depois que o autor do crime, Rodrigo Neumann Pires (43), foi agredido pelo casal dentro de um bar no bairro Conradinho, em Guarapuava. A maioria (59%) respondeu que os "seguranças precisam de mais treinamento", enquanto que 29% entendem que o criminoso "deveria dar queixa à polícia" das agressões, e não cometer o assassinato, e a minoria (12%) compreendem que Rodrigo Pires que, "se não tivesse arma, não mataria".

O vídeo publicado na postagem mostra imagens do momento do crime, em que Pires chega atirando no casal, na porta do bar, e consuma o crime dentro do estabelecimento, acertando ambos mortalmente (a mulher morreu na hora; o homem, no hospital). O áudio do vídeo é uma mensagem que o autor do crime enviou provavelmente a um advogado, dando sua versão sobre o caso, dizendo que foi agredido e que não fez "nada, nada, nada", e que na sequência foi até sua casa, despediu-se "da mulher e dos cachorros", pegou o revólver e voltou ao bar. Em muitos momentos ele xinga as vítimas. Pires disse ao seu interlocutor que ficaria escondido "48 horas" escondido", que "não vai dar em nada". Ele foi encontrado horas depois num esconderijo junto à Estrada do Guabiroba.

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Muitas das reações pediram que o Viva e o Paraná Central publicassem um segundo vídeo, que mostra Rodrigo Pires sendo agredido com socos e chutes no rosto na área em que ficam os banheiros do bar. Em depoimento na Polícia Civil, ele negou que tenha ingerido droga, o que, segundo é sabido, teria sido uma das motivações da abordagem dos seguranças. No áudio que gravou, ele admite que toma "umas cervejinhas" e que nestas ocasiões, sai a pé "para não perder a carteira de motorista". 

Em meio às imagens da agressão no bar, destacaram-se opiniões que procuram justificar a ação criminosa de Rodrigo Pires, amparadas na versão de que ele "agiu em legítima defesa da honra", e também, em maior proporção, que os seguranças agiram fora dos limites técnicos da profissão, agindo como executores. 

Considerando que a maioria dos internautas levanta a imperícia dos seguranças, começa-se a debater o tipo de formação e de fiscalização que envolve esses profissionais. Vanderley Antônio de Lima e Edinéia Gonçalves Oliveira eram casados, tinham 4 filhos (de 1 a 12 anos, incluindo gêmeos), e trabalhavam com farda identificada de seguranças. Cada um ganharia R$ 120,00 pela noite de trabalho, num bar de periferia frequentado por jovens, com música, mesa de sinuca e bebidas. 

A preocupação vai além do crime no bar no bairro Conradinho, abrangendo a atuação dos seguranças nos diversos eventos que acontecem em Guarapuava. Há inúmeras citações nas redes sociais de abusos e de falta de profissionalismo do pessoal que atuam no segmento da segurança, se estão devidamente treinados e habilitados, conhecem dos temas jurídicos e agem de acordo com as normas legais. Não há menção a empresas do setor, mas a discussão abre caminho para uma revisão geral no sistema local e, também, de conceitos que procuram encontrar argumentos para uso de armas e de crimes, tenham eles a causa-efeito que tiverem.

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